terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ding Bling

Cada soma forma uma nota. Cada nota multiplicada um novo som. Cada pedaço de som se desloca solto pelo Universo. Da as mãos a outro pedaço e mais outro e mais outro.
Uma melodia. Uma nova sensação dividindo o espaço com mais outras.A língua que estala no contrapasso da palma e ecoa com mais vozes.
Eram músicas que desenhavam nossa lógica-rotina.
Uma equação que revelava a beleza. No princípio fácil, óbvia e bonita. Mas a cada segundo um novo elemento se emaranhava na conta. Novas incógnitas, notas complexas chegavam numa velocidade impressionante para dar mais beleza a tudo.
Mas não, a prepotência da beleza traz escuridão. E nela cada trecho se dissolve.
Mas se eu sentar aqui com meu pedaço de lápis e um resto de bloco de papel posso colocar cada monômio que se estende em polinômios. Posso pensar e desvendar um enigma, talvez tarde para acompanhar o som, mas certamente a tempo de entende-lo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Que então doa

Ainda existe um balde de mágoa para esvaziar. De mágoa, não de raiva. Sentimento genuíno, que pode ficar aqui até secar. Eu ajudo, escorro a água, mas isso às vezes cansa e por isso me dá vontade de só sentar e esperar o sol fazer a parte dele.

Não, não é sentimento inferior. Não venha de novo com essa conversa. Pessoas sofrem, pessoas sentem dor e ela precisa ser respeitada até passar. Dela nasce até a arte, aquela que você acha que gosta, mas na verdade elitiza. Faz como faz com as pessoas. Recorta pedacinhos que te fazem parecer o máximo por conhecer e joga fora o resto, aquilo que alguém te disse que é inferior. Inferior como os sentimentos de mágoa e raiva.

Se fosse assim, não existiria desigualdade social na Índia. Não é lá que tudo é espiritual e que a gente deveria encontrar felicidade dentro da gente mesmo? Pois é, estão lá morrendo e fome e de desigualdade. Não, eu não estou dizendo que os problemas sociais da Índia são culpa sua. Por que você adora interpretar da sua forma tudo que eu digo e não da forma como realmente é?

Eu vou pra Índia, tentar me encontrar. Não, você não vai junto. Não quero estar divorciada daqui dez anos, como você gostaria que eu estivesse, para poder curtir sua vida e no finalzinho dela me encontrar mais uma vez e ai então poder viver comigo o que a gente sonhava construir juntos.
Nâo, eu não quero mais conversar. Vai embora. Sim, eu estou me descontrolando, mas você ainda não viu nada. Ah você quer os pratos? Fique com eles entãaaaaaaaaaaaaao.


Está doendo, vai embora e deixa a chave em cima da mesa.