Todos os dias me peço para escrever nossa história. Falta
ponto final e sobram reticências. As minhas histórias deveriam ter aquele final
doloroso e bonito, mas parece que com a nossa a dor e o fim se misturam com um
sem meio de carinho e algo gostoso de sentir.
E quanto mais longe do fim, mais essas mistura toma espaço.
Como um emplastro que deveria curar, mas não serve nem com efeito de placebo.
Só tem aquele cheiro forte, que quanto mais a gente tenta limpar mais exala,
fica impregnado na pele e no cabelo.
Deveria ser tão claro o quanto isso é doente e sem sentido,
mas ao mesmo tempo todas as histórias de amor parecem tão sem contexto.
Histórias de amor tem fim? Histórias de amor são sempre cheias de dor? Pontos
de interrogação que mais uma vez impedem o ponto final.
O que aconteceu com a rosa que a gente tinha no portão? Ela
foi junto com aqueles pensamentos de viajar pelo mundo com você, pensamentos
que até hoje eu não sei se em algum momento você compartilhou comigo. A rosa
era de plástico, ela não morre. Mas o que é de plástico também não vive. A
gente tentou dar vida e beleza a ela, mas nada pode dar vida ao que não nasceu
para isso.
Por algum momento eu imaginei que aquelas rosas do parque
poderiam dar lugar a nossa flor no portão, e agora eu penso que talvez elas
tenham dado, e por isso mesmo tenham ficado lá, porque o que é belo não pode
ser tão eterno, e se trouxéssemos elas conosco teríamos que vê-las murchando, e
isso poderia fazer doer mais ainda.
As flores ficaram lá. Os sonhos talvez nunca tenham existido
na verdade (como quando você dizia que a gente precisava sonhar). E a realidade
começa a trazer os pontos, que eu ainda não tenho coragem de usar.