Eu tento escolher quais momentos serão guardados naquela caixinha que a gente tem em algum lugar da nossa alma. Aquela que não deixa que as sensações de felicidade sejam perdidas depois de descobrir que a rotina pode ser cruel. Pode ser cruel? Pode não ser cruel.
Fechar os olhos e ouvir a música. Olhar nos olhos e sentir a música. Perceber que a intensidade não cabe num espaço delimitado pela lógica.
Mudo o raciocínio. Quando foi que tudo mudou de forma e começou a ser tão certo? Parece ser mais obvio encontrar qual foi o instante em que o passado deixou de ser referência e permitiu que você entrasse. Mas isso também seria mentira porque na verdade você já estava ali desde sempre. Talvez no que eu precisava para ser completa. Talvez na espera que eu já estivesse completa para você.
Não fecho mais os olhos. Eu quase já nem respiro para sentir todas as reações da sua fala e do seu corpo sem nem me preocupar mais no quanto está ou não sendo guardado. Já está tudo aqui. Já está nos meus desenhos, os de agora e os que começo a fazer.
Palavras que ganham novos significados e sensações que ganham novas interpretações. É certo. Dá medo, mas é certo e isso me tranquiliza.
Começo a estender a minha mão, mas mudo minha intenção. Não preciso te chamar, você já está aqui. Então apenas seguro no seu braço e continuo andando ao seu lado.
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