segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rotina

-Quando foi que você deixou de me amar?
...
Sensação de ser a mira de um atirador de facas que erra o alvo.
- Quer almoçar junto? Macarrão e brócolis.
- Coloca a água para esquentar.
- Fica do meu lado?
- Não faz uma pergunta desse tipo.
O silêncio é meu e a angústia também
- Estou indo deitar.
A cama é grande e dois corpos antes como um só já não se tocam. Levanto. Choro. Tomo uma água e volto pra cama. Chorar faz bem, aumenta o sono. Mas te incomoda, me ama um pouquinho menos a cada soluço.
Ingênua eu. Com passado demais e você vai virando mais um pedaço de história triste. Sem coragem eu.
- Acordou? Quer um pãozinho ou iogurte com granola?


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um outro caminho

Eu tento escolher quais momentos serão guardados naquela caixinha que a gente tem em algum lugar da nossa alma. Aquela que não deixa que as sensações de felicidade sejam perdidas depois de descobrir que a rotina pode ser cruel. Pode ser cruel? Pode não ser cruel.
Fechar os olhos e ouvir a música. Olhar nos olhos e sentir a música. Perceber que a intensidade não cabe num espaço delimitado pela lógica.
Mudo o raciocínio. Quando foi que tudo mudou de forma e começou a ser tão certo? Parece ser mais obvio encontrar qual foi o instante em que o passado deixou de ser referência e permitiu que você entrasse. Mas isso também seria mentira porque na verdade você já estava ali desde sempre. Talvez no que eu precisava para ser completa. Talvez na espera que eu já estivesse completa para você.
Não fecho mais os olhos. Eu quase já nem respiro para sentir todas as reações da sua fala e do seu corpo sem nem me preocupar mais no quanto está ou não sendo guardado. Já está tudo aqui. Já está nos meus desenhos, os de agora e os que começo a fazer.
Palavras que ganham novos significados e sensações que ganham novas interpretações. É certo. Dá medo, mas é certo e isso me tranquiliza.
Começo a estender a minha mão, mas mudo minha intenção. Não preciso te chamar, você já está aqui. Então apenas seguro no seu braço e continuo andando ao seu lado.