O dia em que você foi embora choveu. Primeiro uma garoa fina que foi se transformando em tempestade com trovão e gotas grossas. Choveu lá fora e aqui dentro de casa.
Choveu tanto que eu sai para não inundar o chão da sala e acabar te afogando ainda mais. Pulei as pocinhas, cai em alguns lagos e fugi. Ou melhor, pensei que estava fugindo, mas era só mais uma daquelas atitudes inúteis de enganar a mim mesma achando que eu posso ter alguma razão.
Fugi da casa ilhada e me joguei na tempestade. Bati o carro enquanto batia em você. E acabei acertando alguém que tinha o seu nome, só pra não me deixar esquecer de que na verdade eu era quem causava todos os acidentes.
Cento e cinquenta reais. O valor do conserto. Pagaria cento e cinquenta mil para não ter que ouvir seu nome repetidas vezes ao telefone enquanto anotava os dados para depósito do valor do estrago. Pagaria cento e cinquenta milhões para voltar no tempo e poder me jogar na frente do carro ao invés de bater nele.
Todos os outros dias foram de chuva. Água escorrendo com lembranças, arrependimento e saudade. Todos os outros dias eu olhava para as gotas que escorriam dos meus olhos e só pensava em como você estava naquela tempestade. E só pensava em te levar abrigo. Em me abandonar para te dar abrigo
Nenhum comentário:
Postar um comentário